Ao Ponto (podcast de O Globo)

de O Globo

Aqui ninguém perde tempo, é direto ao ponto. O podcast do GLOBO, publicado de segunda a sexta-feira às 6h, aborda os principais temas do Brasil e do mundo, para que você compreenda tanto os desafios da economia e os trâmites da política, quanto as inovações tecnológicas e a efervescência cultural. É muito? Os jornalistas Carolina Morand e Roberto Maltchik, apresentadores do AO PONTO, encaram o desafio. A cada episódio eles recebem convidados para uma conversa sobre os acontecimentos mais relevantes do dia.

Episodios

Brasileiros, haitianos e a crise de imigração nos EUA

por O Globo

As mensagens de áudio enviadas à família por Lenilda dos Santos, a técnica de enfermagem que morreu sem comida e bebida, no deserto do Novo México, após ser deixada para trás pelo grupo de imigrantes ilegais do qual participava, chocou o país. O corpo da brasileira, encontrado em 15 de agosto, foi liberado na quinta-feira (23) pelas autoridades americanas. Da mesma forma que ela, milhares de pessoas tentam a sorte na perigosa empreitada para ingressar nos Estados Unidos. Os brasileiros, via de regra, tentam driblar as dificuldades econômicas. Hondurenhos ou salvadorenhos fogem das gangues. Os haitianos fogem de tudo: da miséria, do caos político e dos efeitos dramáticos de terremotos e furacões. Mesmo assim, eles também são barrados na fronteira. A crise de imigração na fronteira sul dos Estados Unidos vem de muito tempo. A diferença, agora, é que muita gente tem sido atraída pela falsa promessa de que está mais fácil entrar ilegalmente nos Estados Unidos após o fim da Era Trump. Com isso, o volume de imigrantes ilegais barrados e deportados só aumenta. Entre outubro de 2020 e agosto deste ano, mais de 46 mil brasileiros foram barrados, seis vezes mais do que o registrado em um um intervalo semelhante no ano anterior. E, nesta semana, milhares de pessoas de outras nacionalidades seguiam acampadas em um dos pontos mais críticos na fronteira: a ponte que liga Ciudad Acuña, no México, a Del Río, no estado americano do Texas. No Ao Ponto desta sexta-feira (24), a pesquisadora e professora da Escola de Educação de Harvard Gabrielle Oliveira explica as razões para que a crise de imigração se agrave, mesmo após o fim da era Trump, e relata o clima entre imigrantes e agentes de fronteira. O colunista Guga Chacra analisa os desdobramentos da situação para o governo Biden.

A última análise sobre o uso da cloroquina contra a Covid

por O Globo

Mesmo com o avanço da vacinação contra a Covid-19, com reflexos positivos no Brasil e no mundo, o chamado “tratamento precoce” segue presente no noticiário. Apesar da farta literatura científica contrária ao uso de hidroxicloroquina, o principal item do chamado "kit Covid", o presidente Jair Bolsonaro resolveu levar a defesa desse suposto tratamento para seu discurso na Assembleia Geral da ONU. Mas o uso da cloroquina também voltou aos holofotes pelo avanço das investigações sobre a atuação da Prevent Senior na pandemia, e o uso indiscriminado de medicamentos não recomendados pela operadora de saúde para tratar da doença. Por isso, os médicos seguem analisando os dados já levantados sobre a cloroquina. A última revisão foi publicada esta semana pelo Jornal Brasileiro de Pneumologia. Um grupo de quatro médicos brasileiros fez uma revisão sistemática de ensaios clínicos que compararam pacientes que receberam hidroxicloroquina como profilaxia ou tratamento de casos leves e pacientes que receberam placebo. De um universo de 1.376 estudos, nove foram levados em consideração por atender os critérios determinados para essa análise. O médico Alexandre Naime Barbosa, membro do Comitê de Monitoramento da Covid da Associação Médica Brasileira e chefe da infectologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), é um dos participantes dessa avaliação. Segundo ele, não houve diferença entre o uso de placebo e o de cloroquina. "Infelizmente, essa meta-análise demonstrou que a cloroquina não ofereceu nenhum benefício para reduzir a hospitalização e nem reduzir o número de óbitos". No Ao Ponto desta quinta-feira, o médico explica os detalhes dessa análise dos estudos científicos e comenta as revelações da CPI da Covid sobre a atuação da Prevent Senior para a contabilização de óbitos de pacientes internados com a doença.

Evergrande: Como uma empresa chinesa derrubou o mercado mundial

por O Globo

A crise na chinesa Evergrande, a segunda maior incorporadora imobiliária do país asiático, causa reflexos na economia global. A empresa acumula uma dívida de US$ 300 bilhões, e cerca de US$ 83 bilhões desse montante devem ser pagos até esta quinta-feira (23). A preocupação é com o risco de um calote gigantesco, o que já foi motivo de protestos na China e derrubou bolsas de valores ao redor do mundo. O caso lembra o que aconteceu em 2008, quando o banco americano Lehman Brothers quebrou e desencadeou uma das maiores crises financeiras da História. Os problemas com a Evergrande não afetam somente os negócios na Bolsa, mas também atingem economias emergentes. É o caso do Brasil, que depende das exportações para a China, que só nos primeiros oito meses do ano somaram US$ 64 bilhões. Isso é três vezes mais do que o Brasil exportou para os Estados Unidos, segundo maior destino das commodities brasileiras. Além disso, o país asiático foi o destino de 63% do minério de ferro brasileiro para exportação nesse mesmo período. O produto deverá ser o mais atingido por uma possível crise no mercado imobiliário. No Ao Ponto desta quarta-feira (22), a repórter Stephanie Tondo conta o que o governo chinês tem feito para a contenção desse temido colapso. O economista-chefe da Órama Investimentos, Alexandre Espírito Santo, explica como o desenrolar dessa crise pode comprometer o Brasil, já fragilizado por tensões políticas, e quais são os desfechos possíveis dessa história.

As implicações da aliança militar que opõe EUA e França

por O Globo

No final de agosto, o último soldado americano se retirava do Afeganistão. Foram 20 anos de guerra contra o Talibã, que retomou o controle de Cabul antes mesmo do fim da missão americana no país. Na ocasião, o presidente Joe Biden indicou que a saída fazia parte de um movimento estratégico ainda maior, com a pretensão de mudar o rumo da atuação militar da maior potência bélica do planeta.  E a mais recente aliança militar do país com Reino Unido e Austrália diz muito sobre o futuro das operações dos Estados Unidos ao redor do mundo. As três nações se uniram para atuar no Pacífico Sul, ainda mais longe que o Oriente Médio e muito mais perto da China. A China, naturalmente, ficou contrariada. Porém, o desgaste se estende aos aliados militares mais importantes dos Estados Unidos. A Aukus, um acrônimo formado pelas iniciais em inglês dos três países, surpreendeu, especialmente, a França. Como parte da aliança, os governos britânico e americano vão transferir para a Austrália tecnologia para a construção de submarinos movidos a energia nuclear, mais rápidos e modernos. Com isso, porém, a Austrália rompeu um contrato bilionário para a compra de uma frota de submarinos convencionais franceses, o que provocou uma crise diplomática entre Paris e Washington. O governo francês tomou uma atitude grave e chamou para consultas seus embaixadores nos Estados Unidos e na Austrália. No Ao Ponto desta terça-feira (21), o professor da PUC-MG Eugênio Diniz, ex-presidente da Associação Brasileira de Relações Internacionais, analisa os detalhes e os efeitos dessa nova aliança militar. Ele também avalia a nova abordagem geopolítica do governo Joe Biden e adverte para a falta de clareza em suas ações.

Paulo Freire, 100 anos. Por que ele incomoda tanta gente?

por O Globo

“Nasci numa família de classe média, bem comportada. Me sentia muito bem, muito feliz dentro da família. Nasci numa casa com quintal longo, largo, cheio de frutas e passarinhos cantando”. Foi assim que Paulo Freire descreveu os primeiros anos de sua infância, no Recife, em depoimento gravado em 1985 pelo Instituto de Artes e a Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Antes dos 10 anos, no entanto, sua família foi impactada pela crise de 1929. E as experiências pessoais daquele que se tornaria o maior educador brasileiro perderam um pouco do brilho de antes. A fome bateu na porta de sua casa. Freire dizia que isso foi importante para sua formação. Porém, ao lembrar o centenário do patrono da educação no Brasil, é possível concluir que essa e outras vivências tiveram impacto valioso também para a toda a sociedade. Nascido em 19 de setembro de 1921. Paulo Freire escolheu a cultura do diálogo como parte de sua filosofia, que vai muito além de seu método de alfabetização, focado nos adultos e que teve a primeira experiência em 1963, na cidade de Angicos, no Rio Grande do Norte. Depois que Freire ofereceu letramento a 300 trabalhadores em 40 horas de estudo, o Brasil derrubou a taxa de analfabetismo de 40% para 6,6%. E o número médio de anos de escola do brasileiro adulto passou de 2,7 para 11 anos. Mas nem por isso o centenário do patrono da educação brasileira será comemorado pelo Ministério da Educação (MEC). Pelo contrário, hoje, Paulo Freire é símbolo da guerra cultural estimulada pelo presidente Jair Bolsonaro. No Ao Ponto desta segunda-feira (20), o educador e pesquisador Fábio Campos, da New York University, analisa o legado de Paulo Freire e a importância de seus ensinamentos nos dias de hoje.

Gabriel Medina: o fenômeno do Brasil no Olimpo do surfe

por O Globo

A vitória no campeonato mundial de surfe deste ano foi especial para Gabriel Medina. O brasileiro chegou ao tricampeonato depois de vencer o compatriota Filipe Toledo em Trestles, na Califórnia (EUA). Com os títulos conquistados em 2014 e 2018, ele se igualou a três lendas do surfe: Tom Curren, Andy Irons e Mick Fanning. Aos 27 anos, porém, Medina ainda está longe de encerrar sua trajetória na elite mundial do esporte. Segundo o próprio surfista, este foi o ano em que se sentiu “mais completo”. Por isso, ninguém duvida que Medina pode superar esse trio e chegar mais perto do americano Kelly Slater, 11 vezes campeão mundial. Nascido na cidade de Maresias, no Litoral Norte de São Paulo, Medina foi o primeiro brasileiro campeão mundial de surfe, aos 20 anos. Numa entrevista ao GLOBO, publicada na quarta-feira (15), ele contou que sempre teve “o sonho de ser três vezes campeão”. Apesar de ter caído na semifinal da Olimpíada de Tóquio, o paulista considera 2021 como o seu melhor ano em resultados. E uma das principais mudanças está fora do mar: casou com a modelo Yasmin Brunet e trocou de treinador. O australiano Andy King chegou neste ano para substituir o brasileiro Charles Saldanha, padrasto do atleta. O rompimento com a família, aliás, é uma das polêmicas fizeram parte de sua temporada: em agosto, Medina foi impedido de participar da última etapa do Circuito Mundial porque não havia se vacinado contra a Covid-19. O evento acabou cancelado, o que não evitou as críticas dentro e fora do mundo do surfe. No Ao Ponto desta sexta-feira (17), o repórter Renato de Alexandrino avalia as chances de Medina superar nomes que marcaram gerações de surfistas em todo o mundo e analisa as controvérsias dessa temporada, como a sua alegada falta de tempo para se vacinar contra a Covid.

O jogo de empurra com o preço da gasolina

por O Globo

Apenas este ano, a gasolina acumula alta de 31%, mas nada indica que o cenário vai melhorar no curto prazo. O dólar, por exemplo, é um componente decisivo para a formação dos preços no setor, e o real tem se desvalorizado acima de outras moedas, como consequência de uma crise política fomentada pelo próprio governo. Na semana do dia 7 de setembro, após os discursos de Jair Bolsonaro em que ameaçou o STF e disse que descumpriria decisões da Corte, a moeda americana fechou em R$ 5,26, com variação de 1,59% em relação à semana anterior, mesmo após o presidente dizer que recuou. Mesmo assim, o governo joga a responsabilidade do aumento dos combustíveis sobre os estados, que têm alíquotas altas e variáveis de ICMS, o que, de fato, também encarece o preço. Já os governadores não estão dispostos a abrir mão dessa receita, fundamental para as finanças estaduais. Ainda nesse jogo de empurra, em um evento promovido pelo Pactual, na terça-feira (14), o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, apontou para a Petrobras. Disse que o repasse de custos da para o consumidor ocorre de forma “muito mais rápida do que em grande parte dos outros países”. Já o presidente da companhia, Joaquim Silva e Luna, em evento na Câmara, trouxe outra versão: endossou o argumento do Planalto e destacou o peso dos impostos estaduais sobre o preço da gasolina. Quanto ao papel da variação do dólar e do preço internacional da commodity, Silva e Luna disse que a estatal “não tem controle de preço sobre a bomba”. No Ao Ponto desta quinta-feira (16), o repórter Bruno Rosa explica como é formado o preço da gasolina e conta detalhes de ações do governo, consideradas controversas, para diminuir os custos do setor. A diretora-executiva do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), Valéria Amoroso Lima, analisa o peso de cada fator sobre o valor do combustível e projeta o cenário caso o real continue sendo afetado pela instabilidade política.

O duro recado dos argentinos ao presidente Alberto Fernandez

por O Globo

Em agosto de 2019, Alberto Fernández comemorava o resultado das urnas, mas os argentinos ainda não haviam o escolhido como o novo presidente do país. Naquela disputa, os eleitores apenas confirmaram o nome dos candidatos que participariam das eleições, as chamadas primárias. Até aquele momento, o favorito era Maurício Macri, o candidato liberal que disputava a reeleição. Mas o resultado das prévias partidárias demonstrou que havia muito mais gente disposta a votar no peronista, então candidato de oposição. E Fernández foi eleito para a presidência da Argentina. Agora, a história se repete, mas no sentido contrário e o o governo de Alberto Fernández e Cristina Kirchner foi amplamente derrotado. Em novembro, os argentinos renovarão metade da Câmara e um terço do Senado. E, no último domingo (12), as primárias para essa disputa foram realizadas. A oposição, liderada pela coalizão de centro-direita Unidos pela Mudança, do partido de Macri, reuniu mais eleitores em 18 dos 24 distritos eleitorais, com 40% do total de votos, contra 31% dos candidatos governistas. Após o resultado, o presidente argentino reconheceu: “há erros que cometemos”, e disse que “com os erros, aprendemos”. No Ao Ponto desta quarta-feira (15), a repórter Janaína Figueiredo analisa em que medida essa derrota sinaliza a fragilidade do governo de Fernández. Ela também explica o que está por trás dessa rejeição e conta quem é o líder de extrema-direita que pode surpreender na disputa presidencial de 2023.

Sem chuvas, como será o 'novo normal' do setor elétrico?

por O Globo

O setor elétrico viverá, a partir de agora, um “novo normal''. A constatação foi feita pelo diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), André Pepitone, que reconheceu, no último domingo (12), que a situação crítica das usinas hidrelétricas pode se repetir com mais frequencia daqui para frente. Nesse cenário inédito, o desafio é garantir o abastecimento de energia mesmo com o volume menor de chuvas, o que vem ocorrendo, ano após ano, na última década. Para 2021, as medidas possíveis já estão em curso: além do apelo à população para frear o consumo, o governo lançou mão das usinas termelétricas que impactam diretamente a inflação. Ainda assim, não há garantia de que, no ano que vem, as chuvas serão tão volumosas a ponto de reequilibrar o sistema. Na verdade, a tendência, de acordo com as previsões do próprio Ministério de Minas e Energia, é de que haverá dificuldade para que os reservatórios dessas usinas se recuperem no final deste ano. Por isso, o governo aprovou um plano para contratar de forma simplificada e preventiva mais energia termelétrica entre 2022 e 2025. No Ao Ponto desta terça-feira (14), a repórter Fernanda Trisotto explica como é o plano para reduzir o risco de racionamento de energia ao longo dos próximos anos. O economista Roberto Brandão, pesquisador sênior do Grupo de Estudos do Setor Elétrico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), analisa o que se pode projetar sobre os preços e se haveria outra alternativa, no atual cenário, para enfrentar a repetição de períodos de estiagem acima da média.

As ferramentas para combater a corrupção nas empresas

por O Globo

O compliance se tornou conhecido no Brasil logo depois das primeiras fases da operação Lava-Jato. Foi um dos mecanismos que as empresas passaram a adotar para minimizar os riscos de práticas em desacordo com as leis ou com as regras da própria organização. É isso que define a palavra: agir com respeito aos regulamentos internos e externos. A partir desse movimento, as corporações criaram ferramentas para melhorar sua governança e evitar punições, com as definidas pela Lei Anticorrupção, criada em 2013, que passou a punir objetivamente as empresas que cometem atos contra a administração pública, seja no Brasil ou no exterior. O problema é que, se não houver comprometimento, o compliance e outras ações para melhorar a governança correm o risco de ter pouca efetividade. A Rede Brasil do Pacto Global da ONU, por exemplo, trabalha com o conceito de ações coletivas para combater a corrupção, que já estão em vigor em três segmentos econômicos, como construção e de limpeza urbana, que, eventualmente, aparecem no noticiário policial. No Ao Ponto desta segunda-feira (16), a líder das ações contra a corrupção do Pacto Global da ONU no Brasil, Camila Araújo, conta quais devem ser as ferramentas das empresas para atuar preventivamente no combate à corrupção. Ela também apresenta formas de identificar indícios de práticas ilícitas e explica de que modo funcionam essas ações coletivas que reforçam os compromissos com a integridade nos negócios.

O que muda após Bolsonaro dizer que recuou?

por O Globo

Dois dias após afrontar o Supremo Tribunal Federal (STF) e ameaçar descumprir decisões do ministro Alexandre de Moraes, o presidente Jair Bolsonaro escreveu um comunicado para dizer que recuou. Em nota divulgada na tarde de quinta-feira, após conversas que iniciaram no dia anterior com o ex-presidente Michel Temer, o chefe do Executivo afirma que agiu no "calor dos acontecimentos". No entanto, ainda não se sabe como essa mudança no discurso vai impactar nas consequências do 7 de setembro. Nesse morde e assopra do presidente, resta a incerteza sobre o efeito da nota sobre a pressão dos partidos de oposição junto ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), para abrir processo de impeachment, o que Lira descarta. Outra dúvida diz respeito ao efeito desse novo capítulo da crise institucional sobre os atos suprapartidários, que estão sendo convocados para a defesa da democracia, o primeiro deles no próximo dia 12. O líder da minoria na Câmara, o deputado Marcelo Freixo, do PSB, falou ao Ao Ponto sobre o tema e disse que não há confiança no conteúdo da carta de Bolsonaro. No episódio desta sexta-feira, o colunista Merval Pereira analisa o movimento do presidente e em que medida ele perde o apoio de seus seguidores mais fiéis. Os repórteres Guilherme Caetano e Sérgio Roxo, da sucursal de São Paulo, contam como os partidos, o MBL e outros movimentos que organizam atos contra os ataques do presidente receberam essa brusca mudança de tom na abordagem do presidente.

A lei, o presidente e o crime de responsabilidade

por O Globo

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, reagiu nesta quarta-feira (8) aos discursos golpistas de Jair Bolsonaro, proferidos em Brasília e em São Paulo durante os atos de 7 de setembro, que tiveram como alvos a Corte e especialmente o ministro Alexandre de Moraes. Já na abertura da sessão do tribunal, Fux disse que “ninguém fechará” o STF, que vai se manter de pé e “não se cansará de pregar fidelidade à Constituição”, reafirmando “o seu necessário compromisso com o regime democrático”. Mesmo assim, as consequências das ameaças do presidente não foram dissipadas e o STF segue sob pressão. Na noite desta quarta-feira, caminhoneiros bloqueavam estradas em diferentes estados, também em protesto contra o STF, encorajados pelo presidente da República. Foi nesse contexto que o ministro Luiz Fux advertiu: Bolsonaro pode incorrer em crime de responsabilidade, especialmente se descumprir decisões da Suprema Corte, como ameaçou fazer na terça-feira. O caminho para instaurar o processo por crime de responsabilidade não é simples. Antes de tudo, precisa de respaldo político. Para exisitir, o processo deve ser autorizado pela Câmara para julgamento do Senado. Até mesmo no caso de um crime comum, o processo só anda depois de aval dos deputados. Mas o presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), segue disposto a evitar esse caminho. Em seu primeiro pronunciamento após o 7 de setembro, ele não tratou de impeachment, pediu “serenidade e respeito às leis” e disse que o seu “único compromisso inadiável” é a eleição presidencial de 3 de outubro de 2022, “com as urnas eletrônicas”. No Ao Ponto desta quinta-feira (9), o jurista Gustavo Sampaio, professor de Direito Público da Universidade Federal Fluminense (UFF), avalia de que forma as ameaças de Jair Bolsonaro podem ser enquadradas ou não como crime de responsabilidade e quais são os obstáculos para esse tipo de investigação.

O 8 de setembro e o Raio-X dos manifestantes da Paulista

por O Globo

Ameaças golpistas do presidente e de seus apoiadores marcaram este 7 de Setembro de 2021. De Brasília a São Paulo, Jair Bolsonaro insuflou a massa contra o Supremo Tribunal Federal, seja na figura do ministro Alexandre de Moraes, o principal alvo, ou de Luís Roberto Barroso, que comanda a Justiça Eleitoral. Após as falas mais radicais do presidente desde que chegou ao poder, resta entender o que virá pela frente. Já se sabe que Bolsonaro terá uma resposta do presidente do Supremo Luiz Fux, na sessão marcada para esta quarta-feira. E que o Senado ficará sem sessões por dois dias por segurança e para avaliar o atual quadro político. Também é notório que o presidente voltará a atacar o sistema eleitoral, como fez em São Paulo, mesmo após a derrota do voto impresso no plenário da Câmara. E, nesse contexto, de que forma atuará o presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), o mais importante aliado do presidente no Congresso, que tinha recebido de Bolsonaro o compromisso de não retomar o tema do voto impresso? Ele se manterá fiel? É dele que depende o avanço ou não de um processo de impeachment, que ganhou força entre os partidos políticos após os discursos desse 7 de Setembro atípico. No Ao Ponto desta quarta-feira, a colunista Malu Gaspar ajuda a entender como as principais forças políticas devem reagir aos discursos do presidente e o que pode-se esperar de Congresso e Supremo a partir de agora. O colunista Pablo Ortellado, professor da USP e estudioso da polarização política no Brasil, detalha os resultados de levantamento feito na Avenida Paulista, na terça-feira (7), que traça um Raio-X sobre o perfil dos manifestantes e as razões que os levaram à manifestação contra o STF e a favor do presidente.

A volta dos brasileiros a Portugal e as dicas para a viagem

por O Globo

Na última quarta-feira (1), Portugal liberou a entrada de brasileiros no país para viagens de turismo, as chamadas não essenciais, após um ano e meio. A notícia foi muito comemorada: ainda na quinta-feira, os voos agendados para os próximos dias com origem em Rio e São Paulo, e destino no país lusitano, já estavam esgotados. Além disso, não será necessário cumprir quarentena na chegada, mas para viajar é preciso apresentar um teste de RT-PCR negativo, realizado até 72 horas antes do embarque, ou o chamado exame de antígeno, feito com 48 horas de antecedência. A imigração também não vai exigir comprovante de vacinação. No entanto, a vacina - ou a repetição de testes - é exigida para uma série de atividades que podem estar no planejamento dos turistas, especialmente aos finais de semana, quando as normas são mais rigorosas. Até essa atualização das regras para a entrada no país, os brasileiros só podiam embarcar para Portugal por motivos profissionais, de estudo, de reuniões familiares, para tratamento de saúde ou razões humanitárias. O cenário só mudou com o aumento do percentual de vacinados e a melhora significativa dos números da pandemia no Brasil. Mas a permissão não é definitiva. A medida está garantida até o dia 16 de setembro, quando vai haver nova revisão do governo português, que seguirá monitorando a situação brasileira e o avanço da variante Delta. No Ao Ponto desta segunda-feira, o repórter Gian Amato, responsável pelo blog Portugal Giro do GLOBO, conta o que os brasileiros podem esperar das viagens a Portugal, após a flexibilização dessas regras. Ele também explica a validade da vacinação brasileira em solo português e como essa reabertura impacta a economia lusitana, que registra crescimento acima da média dos outros países da União Europeia.

As salas de cinema conseguirão se reerguer?

por O Globo

Diversos cinemas já reabriram no país, com um rigoroso protocolo de medidas de prevenção contra a Covid. Outros, porém, continuam fechados porque o público custa a aparecer, levando o setor a acumular prejuízos. Se a comparação for com 2019, os números de 2020 e 2021 são devastadores. No ano que precedeu a pandemia, os cinemas faturaram quase de R$ 3 bilhões, contra menos de R$ 700 milhões no ano passado. No primeiro semestre de 2021, foram apenas R$ 255 milhões. Mas, observando apenas os dados de julho, a renda chega a quase metade do valor de todo o ano. Esse cenário recente, por pior que seja, encoraja o exibidor de filmes mais tradicional do Brasil, o empresário Luiz Severiano Ribeiro Neto, que concedeu uma rara entrevista ao jornalista André Miranda. "Agora, a gente já têm um caminho. No ano passado, a gente nem sabia para onde iria. Pelo menos, a gente já consegue ver uma luz", afirmou Severiano Ribeiro. Ele projeta que, em outubro, com o avanço da vacinação, o público começará a voltar com mais força. Até lá, os cinemas contam, por exemplo, com flexibilizações em contratos para reduzir as despesas. Ainda assim, nem todos conseguirão sobreviver. Em julho deste ano, na comparação com o mesmo mês de 2020, o Brasil perdeu mais de 500 salas de exibição. E as que não fecharam levarão ainda alguns anos para recuperar o prejuízo de praticamente oito meses com os projetores desligados. No Ao Ponto desta sexta-feira, o editor-executivo do GLOBO e crítico de cinema André Miranda conta detalhes da entrevista com Severiano Ribeiro e analisa os desafios dos cinemas para abrir as portas, apesar dos inúmeros obstáculos impostos pela pandemia e por novidades do mercado de filmes.

As suspeitas de "rachadinha" no gabinete de Carlos Bolsonaro

por O Globo

A revelação de que a Justiça do Rio de Janeiro determinou a quebra dos sigilos fiscal e bancário do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos) pôs mais um filho do presidente na mira de apurações que envolvem o chamado esquema da "rachadinha". O inquérito, sob responsabilidade do Ministério Público, foi aberto para apurar a contratação de funcionários “fantasmas”, caso revelado pelo GLOBO. No entanto, o avanço das investigações demonstrou a possível prática da devolução de parte dos salários de funcionários, o mesmo esquema que levou o MP-RJ a denunciar o senador Flávio Bolsonaro, em novembro de 2020. No caso de Flávio, o Ministério Público aponta que o ex-assessor Fabrício Queiroz era o principal responsável pelas transações. Agora, os promotores querem saber se, no caso de Carlos, esse papel seria exercido pela ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro Ana Cristina Valle, cujas movimentações financeiras chamaram a atenção do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Ana Cristina também teve os sigilos quebrados, em decisão de maio, revelada na terça-feira pela GloboNews. Carlos nega a prática de rachadinha e diz ser alvo acusações com "fatos velhos requentados". Uma reportagem de 2019, produzida por sete repórteres do GLOBO e da revista Época, apontou relações de parentesco entre 102 servidores dos irmãos Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro e do então deputado Jair Bolsonaro. Mesmo nomeados, muitos deles não frequentavam o ambiente de trabalho ou nem mesmo eram conhecidos no local. Foram esses indícios que motivaram a investigação do MP-RJ, quando decidiu apurar a contratação de empregados “fantasmas”. Foi quando os promotores identificaram que a ex-mulher de Jair Bolsonaro teve sete parentes empregados pelo 02 e perceberam que havia inconstências nas movimentações financeiras de Carlos, de Ana Cristina e também desses outros servidores, com o uso rotineiro de dinheiro em espécie. Os investigadores encontraram, por exemplo, transações no valor de R$ 1,7 milhão, em dinheiro, feitas por Rogéria Nantes Bolsonaro, mãe do vereador, entre os anos de 2007 e 2019. No Ao Ponto desta quinta-feira, o repórter João Paulo Saconi explica de que forma os promotores encontraram indícios de devolução de salários por servidores de Carlos Bolsonaro. O colunista Bernardo Mello Franco analisa as semelhanças com o caso de Flávio Bolsonaro e de que forma essa apuração afeta o presidente.

A experiência de Israel com a terceira dose da vacina

por O Globo

Depois de esboçar uma volta à normalidade, sem máscaras e restrições de circulação, Israel vive hoje uma quarta onda da pandemia de Covid. Na terça-feira (31), o país registrou um recorde de novos casos da doença: foram 11 mil infecções em 24 horas. A piora de cenário, depois de dias no mês de junho com menos de dez casos registrados, tem como principal responsável a variante Delta. A situação só não é mais grave devido a medidas adotadas recentemente, como a aplicação de uma dose de reforço, inclusive para israelenses a partir de 12 anos, que já podem se vacinar com a terceira dose do imunizante contra o coronavírus. ao ponto spotify home Depois de uma campanha de imunização bem-sucedida no início do ano, Israel viu resultados e chegou a relaxar de forma drástica suas restrições - com direito a festas e estádios repletos de torcedores. A partir de meados de junho, porém, o país viu o número de casos e internações pela Covid-19 disparar com a chegada da variante Delta. Segundo o governo israelense, a eficácia da vacina da Pfizer também caiu de 91%, em março deste ano, para 39% em julho na prevenção de infecções. Como reação, começou a aplicar a dose de reforço, o que fez o país largar na frente na corrida contra o coronavírus, assim como já havia acontecido no início da campanha de vacinação. Como repique de casos, voltaram as máscaras em lugares fechados e algumas restrições de circulação. Até agora, o número de hospitalizações e óbitos ainda não registrou grande aumento, mas existe o temor que ele venha na sequência do crescimento de infecções, como tem acontecido na pandemia. No Ao Ponto desta quarta-feira, a jornalista Paola de Orte relata a situação da quarta onda da pandemia em Israel, diretamente de Tel Aviv. E mostra como este pode ser um exemplo para o rumo da crise sanitária no Brasil, onde a variante Delta também avança e pode frustrar o clima de reabertura.

O recuo no manifesto da Fiesp e a pressão do Planalto

por O Globo

A tensão entre os poderes da República, especialmente entre o Executivo e o Judiciário, tem reflexos cada vez maiores sobre toda a sociedade, com reações crescentes no setor produtivo. Nesse contexto, a Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) havia decidido publicar um manifesto pelo diálogo, na tentativa de acalmar os ânimos às vésperas das manifestações previstas para o próximo dia Sete de Setembro. Na segunda-feira (30), porém, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, voltou atrás: mesmo sem consultar os cerca de 200 signatários da nota, optou por suspender sua divulgação. Antes da decisão de Paulo Skaf, o governo fez muita pressão sobre entidades que apoiavam o manifesto. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban), por exemplo, decidiu endossar o documento. Em reação, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil ameaçaram deixar a entidade pelo suposto tom crítico ao presidente. Mas o texto, intitulado "A Praça é dos Três Poderes'', não citava o presidente. Fazia um apelo para que Executivo, Legislativo e Judiciário voltassem a dialogar, com foco nos interesses do país. Ressaltava ainda a "grande preocupação com a escalada de tensões e hostilidades entre autoridades públicas" e destacava que todos os ocupantes de cargos relevantes da República "devem seguir o que a Constituição impõe". Diante do recuo de Skaf, grupos que deram apoio à iniciativa ficaram contrariados. E alguns resolveram se manifestar, por conta própria, como foi o caso de sete entidades ligadas ao agronegício, que divulgaram nota conjunta em defesa da democracia e com críticas a "aventuras radicais". No Ao Ponto desta terça-feira, o diretor da sucursal de São Paulo, Renato Andrade, e o repórter Ivan Martínez-Vargas contam os bastidores da reação de empresários após a Fiesp recuar na divulgação de apelo pelo diálogo. Eles também analisam o desgaste para a imagem dos bancos públicos, que ameaçam se retirar da Febraban.

O 5G no Brasil, agora e depois do leilão

por O Globo

Usuários de celulares compatíveis com a tecnologia 5G no Brasil já têm notado que a conexão à internet mudou. A velocidade é maior, e o visor do aparelho já mostra a sigla 5G. Mas de que forma isso é possível, se o leilão dessas frequências ainda não foi realizado no país? O ministro das Comunicações, Fabio Faria, diz que esse serviço não é 5G de verdade. Porém, tecnicamente, é o que o mercado chama de 5G DSS, uma forma de oferecer mais velocidade com o uso de frequências que já existem. Essa experiência tem chamado a atenção enquanto não ocorre o leilão do 5G, atrasado em dois anos, mas que deve ocorrer em breve. Alvo de uma disputa global entre China e Estados Unidos, que lutam contra o avanços dos componentes da chinesa Huawei nas redes de 5G em todo o mundo, o processo para a concessão dessas frequências teve avanço importante na semana passada. O Tribunal de Contas da União aprovou o edital, que agora receberá ajustes da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para, possivelmente, a realização do leilão em outubro. No Ao Ponto desta segunda-feira, o colunista Pedro Doria conta como funciona a tecnologia de internet mais rápida que já está disponível em alguns aparelhos e explica o salto que a conexão terá nos próximos anos. O repórter Bruno Rosa explica de que forma deve ocorrer a participação dos chineses e quais são os investimentos que os vencedores dessa disputa terão que fazer para melhorar o acesso à internet no país.

Pirâmides, criptomoedas e os riscos de golpes financeiros

por O Globo

Na última quarta-feira (25), a Polícia Federal deflagrou a Operação Cryptos, montada para desbaratar uma organização criminosa que teria movimento uma quantia bilionária nos últimos anos com a promessa de investimentos com alta rentabilidade e retorno garantido. O grupo seria liderado por Glaidson Acácio dos Santos, que até pouco tempo era garçom em Búzios (RJ) e hoje é dono da GAS Consultoria Bitcoin. O empresário prometia o sonho do lucro fácil a risco zero, com rendimento mensal de 10%, em aplicações nas chamadas criptomoedas. Mas, segundo a Polícia Federal, tudo não passava de ilusão. Glaidson foi preso, acusado de inúmeros crimes, e seguia na cadeia até a noite de quinta-feira. Em sua casa, na Barra da Tijuca, os policiais encontraram quase R$ 20 milhões em espécie, além de joias, carros de luxo e relógios de alto padrão. O esquema criminoso em Cabo Frio revela a complexidade de uma nova e atraente modalidade de investimentos, usada como chamariz para a aplicação de um golpe financeiro: a suposta compra e a venda de criptomoedas, um mercado que ainda tem regras pouco conhecidas e que movimenta bilhões de dólares em todo mundo. Diferentemente do perfil de remuneração oferecido pela empresa de Glaidson, os investimentos em criptoativos não têm nada a ver com retorno garantido. Muito pelo contrário. Têm alta volatilidade, ficam sujeitos a inúmeras variáveis, típicas das aplicações de risco, e exigem atenção redobrada do investidor. No Ao Ponto desta sexta-feira, a repórter Paolla Serra conta como funcionava o esquema de pirâmide, desbaratado pela Polícia Federal no Rio. A educadora financeira Bia Moraes, da Ativa Investimento, explica de que forma o golpe financeiro se diferencia das aplicações regulares em criptomoedas e quais são as principais dicas para aplicar com segurança e evitar riscos ao patrimônio dos investidores.

A disputa no PSDB e o impasse sobre a terceira via em 2022

por O Globo

Nesse exato momento, os dirigentes do PSDB fazem contas. Tentam prever o que vai acontecer em novembro, quando o partido fará as prévias para a escolha do candidato que deve concorrer à Presidência em 2022. No cenário de hoje, esse candidato, que pode ser o governador de São Paulo João Doria, o governador gaúcho Eduardo Leite ou mesmo o senador Tasso Jereissati (CE), deve enfrentar uma campanha com adversários poderosos: o presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Lula. Até a semana passada, o clima era de total indefinição. Porém, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso gravou um vídeo em apoio a Doria e movimentou os tucanos. Eduardo Leite ficou contrariado e disse que o ex-presidente tem o direito de se equivocar. Mas o fato é que o apoio de Fernando Henrique tem peso e animou o governador de São Paulo. Porém, Doria alimenta desavenças e mal entendidos dentro do próprio PSDB. Nesta semana, criou mal estar ao afirmar que o senador Tasso Jereissati havia jogado a tolha. Foi desmentido prontamente. Ele também não mede palavras para atacar seu principal adversário dentro do partido, o deputado Aécio Neves (MG), que segue com força entre parlamentares tucanos alinhados ao governo de Jair Bolsonaro. Quando o voto impresso foi derrotado no plenário da Câmara, o PSDB fechou questão contra a proposta. Aécio se absteve, mas 14 de 32 parlamentares da legenda votaram a favor. No Ao Ponto desta quinta-feira, a colunista Vera Magalhães conta em que medida o apoio de Fernando Henrique sinaliza o favoritismo do governador de São Paulo na disputa dentro do PSDB. Ela também analisa como a atuação política de Doria dificulta sua aproximação com outros partidos e de que forma o atual cenário político influencia a construção da chamada terceira via em 2022.

A explosiva combinação entre a seca e as queimadas

por O Globo

"A situação aqui não tá boa, não. Tá tudo seco. Não tá chovendo. E essa semana teve incêndio, mas ainda bem que o pessoal conseguiu apagar. Tá complicado". O relato é de Arlete Pereira Leite, presidente da Associação de Mata Cavalo de Baixo, uma comunidade quilombola, com cerca de mil moradores, no município de Pucuné, na porta de entrada do Pantanal mato-grossense. A preocupação dela é a mesma que angustia milhares de outros cidadãos do Pantanal, castigados pela combinação entre as recorrentes queimadas e uma seca implacável, que supera a média para essa época do ano. Enquanto não chove, Mato Grosso lidera o ranking nacional de incêndios, com 5.671 focos de calor registrados na segunda-feira, segundo dados do INPE. Reportagem do GLOBO mostrou que isso representa 20,3% dos quase 28 mil focos identificado em todo o país no começo da semana. Na Amazônia, as queimadas também já superam a média histórica, apesar de um decreto, que também vale para o Pantanal, proibindo o uso do fogo durante o período mais crítico da seca, que vai até o final de outubro. No Ao Ponto desta quarta-feira, geógrafa Ane Alencar, especialista em fogo na Amazônia e diretora de Ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), explica de que forma a combinação da seca com as queimadas ilegais pode permitir que a destruição dos biomas este ano supere o número de 2020, o maior da última década. Ela também analisa como os incêndios estimulam o agravamento dos períodos de seca e vice-versa.

A nomeação do ministro "terrivelmente evangélico" no STF está ameaçada?

por O Globo

Há muito tempo, a indicação do ex-ministro da Justiça e ex-advogado geral da União André Mendonça para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) é discutida em Brasília. Em junho, tudo indicava que o presidente Jair Bolsonaro o escolheria para a vaga do ministro Marco Aurélio Mello. Essa indicação se confirmou e, apesar de inúmeras resistências, todas as previsões indicam que seu nome será aprovado, desde que seja levado à votação. Porém, com o agravamento da crise institucional, o Senado passou a retardar a sabatina de André Mendonça. Até que, na última sexta-feira, o presidente Jair Bolsonaro acabou com qualquer clima para que a Casa marque a data para apreciar o nome de Mendonça, após apresentar um pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes. Mendonça entrou na berlinda porque é muito próximo ao presidente, fiel à sua agenda de costumes e respaldado por lideranças evangélicas, com quem Bolsonaro firmou o compromisso de indicá-lo. Mas, agora, a bola já não está nem com o presidente Bolsonaro, nem com o presidente do Senado. Cabe ao presidente da Comissão de Constituição e Justiça, o senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), definir a data. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), até poderia ajudar nessa tarefa ou mesmo avocar essa votação para o plenário. Mas, nesse momento, nada indica que ele fará esse movimento. No Ao Ponto desta terça-feira, a colunista Bela Megale e a repórter Mariana Muniz explicam até que ponto o agravamento da crise institucional, com o pedido de impeachment de Moraes, põe em risco a indicação do ministro "terrivelmente evangélico" ao STF e conta de que forma essa nova situação anima outros nomes que pleiteavam essa vaga no Supremo.

As mudanças em curso na educação de alunos com deficiência

por O Globo

Na semana passada, o ministro da Educação, Milton Ribeiro, recebeu críticas dos mais diferentes segmentos, ligados ou não à educação, ao expor sua opinião sobre a inclusão de crianças com deficiência em escolas regulares. Primeiro, em entrevista à TV Brasil, afirmou que esses estudantes "atrapalham" o aprendizado de outros alunos. Depois, pediu desculpas e disse que sua frase foi tirada de contexto, mas não encerrou a polêmica. Manteve o entendimento que algumas crianças, dependendo do grau de deficiência, "criam dificuldades" para elas e outros alunos. E sustentou que, do universo de 1,3 milhão de estudantes com deficiência em escolas públicas de ensino básico, 12% têm um grau de deficiência em que é "impossível a convivência", embora não tenha apresentado os dados que justificaram essa afirmação. A educação inclusiva está prevista na Convenção Internacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência, da qual o Brasil é signatário. De acordo com o Censo Escolar de 2020, 86,5% dos alunos com deficiência frequentam turmas regulares, uma progressão inédita que ocorreu na última década. Porém, desde 2018, ainda no governo Temer, o MEC atua no sentido de alterar essa política pública, mudança de rumos que foi acentuada no governo Bolsonaro. A atual gestão publicou, em 2020, o decreto 10.502, que determina que as escolas regulares sejam prioritárias, mas passa a incluir as especiais como opção para destinar recursos públicos. O Supremo Tribunal Federal suspendeu a vigência do decreto, porém o governo não deixou de estimular a criação das chamadas salas especiais. O MEC informa que já investiu R$ 257 milhões política nacional de Educação Especial. No Ao Ponto desta segunda-feira, a repórter Paula Ferreira explica de que forma o MEC vem mudando o direcionamento dessa política pública e que tipo de iniciativa está sendo priorizada. A professora Maria Teresa Mantoan, doutora em Educação e coordenadora do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Ensino e Diferença da Unicamp, analisa até que ponto essa nova política atende ao que está previsto na legislação brasileira e na Convenção Internacional dos Direitos das Pessoas com Deficiência.

Por que (ainda) precisamos falar sobre a importância das máscaras?

por O Globo

Na quarta-feira, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, chocou médicos e cientistas ao criticar a obrigatoriedade do uso de máscaras no Brasil. Sob pressão do presidente Jair Bolsonaro, Queiroga disse que o "o uso de máscaras tem de ser um ato de conscientização". "Somos contra essa obrigatoriedade", afirmou em entrevista a um canal bolsonarista investigado pela CPI da Covid por disseminar desinformação sobre a pandemia. Além de Bolsonaro e de Queiroga, a Procuradoria-Geral da República seguiu a mesma narrativa e, inclusive, contestou os estudos científicos que comprovam a relevância do uso de máscaras. Para emitir parecer contrário a um pedido de investigação do presidente Jair Bolsonaro, por aparecer em eventos e participar de aglomerações com apoiadores sem o equipamento, a vice-procuradora-geral da República, Lindôra Araújo, afirmou que não é possível aferir a exata eficácia das máscaras contra a contaminação por Covid. Por isso, disse a procuradora, não se pode considerar criminosa a conduta de quem descumpre as regras sanitárias, recomendadas no mundo todo e também pela Organização Mundial da Saúde. No Ao Ponto desta sexta-feira, a epidemiologista Ethel Maciel, professora da Universidade Federal do Espírito Santo, e o físico Vitor Mori, pesquisador do Observatório Covid-19 rebatem o parecer da PGR que aponta falta de comprovação sobre a eficácia dos equipamentos de proteção e explicam como o atual momento da pandemia, com a circulação da variante Delta e o fim das medidas restritivas de circulação, requer vigilância redobrada.

O peso do Senado na agenda de Bolsonaro

por O Globo

A busca pelo diálogo já é marca registrada do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco. E, na quarta-feira, ele exercitou essa habilidade em visita ao presidente do Supremo, o ministro Luiz Fux. Pacheco tomou para si a tarefa de tentar reconstruir pontes bombardeadas pelo presidente Jair Bolsonaro com o Judiciário, após o próprio ministro Fux cancelar um encontro marcado com o chefe do Executivo, em meio a ataques e ameaças de Bolsonaro ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral, o ministro Luís Roberto Barroso. A pergunta é: como ele vai ter sucesso na empreitada se o presidente mantém em fogo alto o clima de guerra entre os poderes, com ameaças de pedidos de impeachment contra ministros do STF? Para esfriar os ânimos, Rodrigo Pacheco tem como instrumento o poder para levar à frente - ou não - uma série de temas que interessam ao Palácio do Planalto e ao Centrão, que se tornou o fiador político mais importante do governo. O presidente do Senado pode viabilizar a realização da sabatina para a nomeação de André Mendonça à vaga do ministro Marco Aurélio no STF, que entrou em compasso com a crise institucional. Da mesma forma, a recondução do procurador-geral da República, Augusto Aras, outro aliado de primeira hora de Bolsonaro, depende de votação na Casa. Isso sem falar em temas da agenda econômica, como a privatização dos Correios, e da agenda do Centrão e de Arthur Lira, como as coligações entre partidos para a eleição de deputados, que não tem adesão dos senadores. No Ao Ponto desta quinta-feira, a jornalista Mariana Carneiro, repórter em Brasília da coluna da Malu Gaspar, conta como o presidente do Senado tentar reestabelecer o diálogo entre o governo e o STF e analisa o clima na Casa para a aprovação das agendas do governo e do Centrão.

Os efeitos da crise política sobre a economia

por O Globo

Na última sexta-feira, o ministro da Economia, Paulo Guedes, culpou a antecipação da disputa eleitoral por eventuais instabilidades no mercado e pelo atraso na agenda econômica. Segundo ele, os excessos de "alguns atores" seriam responsáveis pela dificuldade para aprovação de reformas. Guedes falou em um contexto marcado pela combinação de dados que preocupam: inflação e desemprego altos; dólar em sinal de elevação; e redução das projeções de crescimento da economia pra 2022. Sem dúvidas, há outros fatores importantes, além da crise política, que contribuem pra esse cenário. A China, por exemplo, acumula más notícias na economia, após o ressurgimento de surtos de Covid. Mas como o Brasil não tem como influenciar a recuperação chinesa, cabe fazer o dever de casa. E, nesse caso, o ministro Paulo Guedes volta a ter papel importante. Ao tratar da instabilidade política, ele ignorou os ataques repetidos do presidente Jair Bolsonaro às instituições, gerando tensão crescente entre os poderes. Além disso, no final de maio, Guedes afirmou que o governo passaria a atuar "no ataque" de olho na eleição, após três anos "contendo gastos". Ou seja, deu a senha para abrir os cofres a despesas que podem ter efeito positivo sobre a popularidade do presidente, que fica menor a cada nova pesquisa, com uma fórmula conhecida. Além da generosa liberação de verbas para parlamentares aliados, a equipe econômica aposta suas fichas num modelo controverso para turbinar o Bolsa Família: o parcelamento das dívidas judiciais, os chamados precatórios. No Ao Ponto desta quarta-feira, a economista e colunista do GLOBO Zeina Latif explica como o mercado financeiro e os principais indicadores da economia reagem à evolução da crise política. Ela também analisa o comportamento da equipe econômica diante da queda de popularidade do presidente Jair Bolsonaro.

"Eu chorei com uma menina do Afeganistão". O relato de uma jornalista sobre a volta do Talibã ao poder

por O Globo

O drama do povo do Afeganistão, que agora vive novamente - e oficialmente - sob o domínio do Talibã, choca o mundo. As lembranças do período de profundas violações, em especial dos direitos das mulheres, 20 anos após o grupo extremista ter sido expulso do poder, vieram à tona, na segunda-feira, com as imagens de pessoas penduradas em aeronaves militares dos Estados Unidos para fugir da perseguição dos extremistas. A aflição e o sofrimento dos afegãos, porém, não começou de um dia para outro. Há tempos que a população do país foi perdendo confiança na proteção dadas pelas tropas dos Estados Unidos, que, agora, foram embora definitivamente. Ao mesmo tempo, quem vive essa realidade de perto acompanha o aumento progressivo da influência do Talibã, segundo o relato da jornalista e escritora Adriana Carranca, que, desde 2008, já esteve quatro vezes no país. Aqui do Brasil, ela manteve contato nas últimas horas com jovens que entrevistou nessas ocasiões. No Ao Ponto desta terça-feira, a jornalista explica de que forma a milícia tomou o controle do Afeganistão muito antes do projetado pelo presidente americano Joe Biden. E conta a história da Meena, uma jovem estudante de música que não conseguiu dinheiro para sair do país, enquanto esse sonho ainda era possível.

Reajuste de um lado, bônus de outro. O "kit" contra o apagão

por O Globo

Por causa da falta de chuvas, os moradores de Curitiba já enfrentam racionamento de água. É um sinal preocupante da maior crise hídrica dos últimos 91 anos, que também impacta o fornecimento de energia. Desde o final de abril, uma série de medidas estão em curso para evitar o risco de apagão, como ocorreu em 2001. A principal delas é o acionamento de usinas termelétricas, que já levaram a conta de luz às alturas. Só em julho, a energia elétrica ficou 7,88% mais cara. Porém, como a seca não dá trégua, o nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas continua em declínio. O chamado sistema Sudeste/Centro Oeste, que responde por 70% do armazenamento de energia do Brasil, estava com capacidade abaixo de 25% na semana passada. Por isso, medidas adicionais precisam ser adotadas. Por um lado, novos reajustes não estão descartados. Por outro, o governo vai dar benefícios em dinheiro para indústrias e famílias gastarem menos energia elétrica. No Ao Ponto desta segunda-feira, o professor Nivalde de Castro, coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico da UFRJ, analisa o atual cenário da crise hídrica e quais são os riscos de racionamento no final do ano. O repórter Manoel Ventura explica de que forma esse bônus deve funcionar e conta como o governo trata, internamente, os riscos de apagão.

Chegou a hora de planejar a terceira dose da vacina?

por O Globo

Com quase 80% de da população adulta imunizada com duas doses, Israel virou notícia no mundo pela velocidade e efetividade de seu programa de vacinação. Por lá, o imunizante lá é o da Pfizer, no topo do ranking de eficácia entre todas as vacinas até agora desenvolvidas. Porém, nas últimas semanas, as autoridades de saúde entraram em alerta. Com o avanço da variante Delta, o número de novos casos aumentou significativamente, atingindo os patamares de fevereiro, embora com uma proporção bem menor de mortes e internações graves, graças à vacinação. As autoridades de saúde discutem retomar medidas restritivas e já deram início à aplicação de doses de reforço. Nos Estados Unidos, o FDA está prestes a autorizar a aplicação da terceira dose da Pfizer ou da Moderna para pessoas imunossuprimidas, como transplantados ou em tratamento de doenças autoimunes. Na Indonésia, que utiliza a CoronaVac, o debate sobre a aplicação da terceira dose em profissionais de saúde está avançado. Em todos os casos, o reforço é tido como alternativa para conter casos graves e óbitos, com a queda progressiva da imunidade de quem tem uma resposta mais fraca, seja em razão de comorbidades ou pelo avanço da idade. No Brasil, com um pouco mais de 22% da população com duas doses e problemas logísticos, o dilema é atender a demanda de pessoas ainda não vacinadas e planejar a terceira dose da população mais vulnerável, especialmente onde a variante Delta se espalha com velocidade. No Ao Ponto desta sexta-feira, o infectologista Julio Croda, pesquisador da Fiocruz e professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, detalha como é possível planejar o início das doses de reforço sem comprometer o avanço da campanha de vacinação. Ele também analisa o papel da variante Delta para acelerar esse debate e indica os grupos que considera prioritários para a aplicação da terceira dose.

Por que o Congresso revogou a Lei de Segurança Nacional?

por O Globo

Entre 1964 e 1985, o Brasil viveu sob a ditadura militar. Dois anos anos antes do fim do regime, já no período de transição para a democracia, a Lei de Segurança Nacional (LSN) foi aprovada. A ideia era consolidar parte das normas de proteção à soberania e aos chefes de poderes introduzidas antes e durante o período de exceção. Embora vigente até hoje, a Lei de Segurança Nacional ficou praticamente esquecida por muito tempo. Porém, isso mudou no atual governo. Levantamento do GLOBO, com dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação, mostrou que mais da metade dos inquéritos policiais instaurados com dispositivos dessa lei, entre 2010 e 2021, ocorreram sob a presidência de Jair Bolsonaro, justamente contra pessoas que criticam suas ações e declarações. Entre 2010 e 2018, foram 81 procedimentos de investigação. Entre 2019 e 2021, outros 107 inquéritos foram abertos com base nessa legislação da ditadura. Nesse contexto, o Congresso decidiu revogar a LSN, em troca de outra, batizada como Lei de Defesa da Democracia e do Estado de Direito, aprovada, em maio, na Câmara, e no Senado, na terça-feira. A manifestação crítica aos poderes não será considerada crime. Em compensação, dez novos crimes aparecem no Código Penal, como golpe de estado, atentando ao direito de manifestação, violência política, abolição violenta do estado democrático, interrupção do processo eleitoral e comunicação enganosa em massa, que é a disseminação de fake news capazes de comprometer o processo eleitoral. No Ao Ponto desta quinta-feira, o professor do Departamento de Direito Público da Universidade Federal Fluminense, Gustavo Sampaio, explica de que forma a revogação da Lei de Segurança Nacional protege a liberdade de expressão e em que medida a nova lei pode ser usada contra os recentes ataques à democracia e às eleições.

A volta do Talibã, após 20 anos de guerra no Afeganistão

por O Globo

No dia oito de julho, o presidente Joe Biden anunciou a retirada de três mil soldados do Afeganistão até o dia 31 de agosto, de forma segura e ordenada. A guerra é liderada pelos americanos, mas conta com tropas de outros países da Otan, como o Reino Unido. Começou após os ataques às torres gêmeas, em Nova York, no dia 11 de setembro de 2001, e termina com dois mil e 300 soldados dos Estados Unidos mortos. O plano era combater o grupo terrorista Al Quaeda, de Osama bin Laden, e impedir que o Talibã retomasse o poder. Porém, os extremistas islâmicos jamais foram derrotados. De tal forma que a efetiva saída dos militares estrangeiros serviu de estopim para ataques fulminantes do grupo em em diferentes regiões do país. Nos últimos dias, o Talibã tomou o controle de sete províncias, apesar dos bombardeios patrocinados pela coalizão que se prepara para partir. Desde o início do conflito, cerca de 60 mil integrantes das forças de segurança locais perderam a vida. A estimativa é que, entre os civis, o número de vítimas é bem maior. Analistas já previam a ofensiva do Talibã logo após o anúncio da data do fim da missão das tropas internacionais, mas a velocidade das ações em províncias do Norte e do Sul do Afeganistão surpreendeu até mesmo os mais pessimistas. O governo local e a polícia, treinada pela forças estrangeiras por duas décadas, mantêm controle total sobre Cabul. Porém, já se discute até que ponto existe o risco de ataque à capital e cresce o debate sobre em que medida a saída não foi precipitada. Na terça-feira, o presidente Joe Biden se viu obrigado a dizer que, apesar do avanço do Talibã, ele não se arrepende da decisão tomada. O repórter Filipe Barini explica de que forma o Talibã se sustenta, mesmo após 20 anos de guerra, e quais são as chances de o grupo extremista tomar o poder. O professor de Relações Internacionais da Faap Carlos Gustavo Poggio faz um balanço do conflito para os americanos, que viram na invasão do Afeganistão o principal front da chamada Guerra contra o Terror.

Voto impresso: A batalha na Câmara e no Judiciário

por O Globo

Nesta terça-feira, o plenário da Câmara dos Deputados deve votar o Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que recria o voto impresso no Brasil, a mesma que foi derrotada na semana passada pela comissão especial pelo placar de 22 a 11 votos. Segundo levantamento feito pelo GLOBO, 15 dos 24 partidos representados na Câmara têm posição declaradamente contrária à proposta. Somados, os parlamentares dessas legendas somam 330 dos 512 votos. Até o presidente Jair Bolsonaro, em entrevista à Brado Rádio, de Salvador, admitiu que o prognóstico não lhe é favorável. Mesmo assim, é impossível saber como o presidente vai reagir caso o Câmara enterre a proposta. Ainda mais depois que Bolsonaro ameaçou atuar à margem da Constituição, na semana passada, por ter sido incluído no inquérito das Fake News, no Supremo Tribunal Federal, em razão dos ataques que faz, com o uso de informações inverídicas, ao sistema de votação com a urna eletrônica. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), afirmou que Bolsonaro lhe garantiu que respeitará a decisão do plenário. Porém, ministros do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral avaliam que essa votação não será suficiente para que o presidente encerre os ataques ao sistema de votação e seguem em alerta diante de novas investidas do presidente, seja contra o processo eleitoral ou contra os próprio integrantes do STF e do TSE. Não bastasse o clima de tensão, o Ministério da Defesa agendou um inédito desfile de blindados em frente ao Palácio do Planalto para o dia da votação, o que revoltou parte dos parlamentares e surpreendeu o próprio presidente da Câmara, que classificou como uma "trágica coincidência". No Ao Ponto desta terça-feira, a repórter Mariana Muniz, que acompanha o dia a dia dos tribunais superiores, conta de que forma o Judiciário pretende atuar a partir de agora diante de novas investidas de Jair Bolsonaro contra o TSE, o STF e o processo eleitoral. O editor-executivo Paulo Celso Pereira analisa o que se pode projetar sobre o comportamento de Bolsonaro daqui pra frente.

O preço da cultura da corrupção e o desafio de combatê-la

por O Globo

Os casos de corrupção descobertos no Brasil pipocam diariamente. Desde o pequeno suborno até as disputas por grandes contratos com o poder público, nos mais diferentes setores empresariais e esferas de poder. Na última década, uma série de ações foram adotadas no país para frear o pagamento de propina, seja no campo investigativo ou institucional. O caso mais exemplar é a operação Lava-Jato, que desbaratou o bilionário esquema de corrupção na Petrobras, com o envolvimento das maiores empreiteiras do país. Mas a Lava-Jato só conseguiu chegar onde chegou após mudanças significativas na legislação, que, no começo de 2014, também passou a mirar o comportamento das empresas. Apesar desses avanços, o caminho para combater as práticas ilícitas no mundo dos negócios é bem mais longo. O Brasil vem caindo no Índice de Percepção da Corrupção da Transparência Internacional. Ocupa a 106ª posição no ranking dos países. O Barômetro Global da Corrupção, que é maior pesquisa do mundo sobre experiência concreta dos cidadãos em relação ao tema, revelou que 50% dos brasileiros acreditam que a maioria dos Executivos são corruptos. E, naturalmente, esse não é apenas um problema do Brasil. De acordo com dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento (OCDE), a corrupção movimenta por ano algo como US$ 2,6 trilhões. Além disso, adiciona em 25% o custo dos processos de compras, o que suprime investimentos essenciais em áreas como saúde e educação. No Ao Ponto desta segunda-feira, o diretor-executivo da Rede Brasil do Pacto Global das Nações Unidas, Carlo Pereira, conta os principais desafios diante das empresas para romper com a cultura da corrupção e analisa de que forma o combate à corrupção se relaciona com as boas práticas ambientais e contra a violação de direitos humanos no mundo corporativo.

A retomada do emprego pós pandemia | E AGORA, BRASIL?

por O Globo

Especialistas e nomes de peso no cenário nacional analisam os desafios para a retomada do emprego, tema que afeta a vida de todos os brasileiros. Nesta edição do E AGORA, BRASIL?, discutiu-se a recuperação do mercado de trabalho nacional após o impacto da pandemia na economia, além das iniciativas que podem colaborar com a retomada e a nova realidade dos negócios digitais. O E AGORA, BRASIL? é uma iniciativa dos jornais O GLOBO e "Valor Econômico", com patrocínio do Sistema Comércio, através da CNC, do Sesc, do Senac e de suas confederações. Participam da live Bruno Bianco, secretário especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia; Lorival Luz, CEO Global da BRF; Fabricio Garcia, vice-presidente de Operações do Magazine Luiza (Magalu); e Zeina Latif, consultora econômica e colunista do GLOBO. A mediação é de Mariana Barbosa, colunista do GLOBO, e de Eduardo Belo, editor assistente do jornal "Valor Econômico".